Cada tempo
cada guerra
cada adeus
tem seus tambores
cada mundo que morre
tem seus golpes que aboujam
para apagar a dor
que grita nas vísceras
Hoje me alimento
com musicas diversas
absurdas que não entendo
até que suas ondas
se cravem fundo e
façam vibrar minha carne
quase morta
ou deixada morta
como a mão nos jogos da infância
Sentir nem sempre adianta
Então quero ser
aquele poema moçambicano
do João Craveirinha
não quero ser guerra
não quero ser morte
não quero ser corpo condenado
nem quero ser o próprio 'Ser'
quero ser apenas o tambor
que anuncia sem saber o quê
fala sem saber o quê
Tambor para pintar as ondas do ar
nos ouvidos que não me vêem
Tambor que em cada golpe
emita um único verso
sem saber quê ares irá pintar
nem quê ouvidos irá tocar...
Concha Rousia
Quintal d'Amaia 25 maio 2012
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