A Linda Princesa
No encanto do teu olhar,
a antiga sabedoria,
sabe que a princesa
sorve a fonta da vida.
A pequena princesa
encanta-se daquela beleza;
que há no mar e na terra,
no carvalho e na pedra.
Ela, tão pequena,
contempla o sublime;
o profundo mar do seu olhar
revela Nerea, sua realeza.
E. R. Halves
CONCHA ( um poema )
Ante o mar, revolto e cheio de voltas,
há uma vieira que envolve pérola.
...Há um rochedo, uma demanda e uma guerreira,
trovadora de trovões e brisas...
há um carvalho plantado na terra
( agora finda... finis terrae )
a dizer da beleza que existe no mar,
nas colinas, nas campinas...
Há uma concha entranhada na alma:
um campo de estrelas
(no céu do mar: galáxia )
a dizer sua beleza... Galiza.
E. R. Halves
A Rousia é essa montanha que herdei sozinha, e que está prenhada de mar, e por ele eu um dia viajarei para ir a ilha dos nossos, o povo que desapareceu da aldeia da Rousia. Ficam casas desfeitas, com paredes a amparar carvalhos que crescem na ausência do povo ido... Concha Rousia
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domingo, 15 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
O saber do não saber
Hoje senti a felicidade nos pés, por vezes é tão bom que a cabeça descanse... se deixe levar... pisei a terra, ambas estávamos nuas e descalças... senti o seu cheiro, o seu tato... e descobri que gosto de viver num mundo que me protege de eu ter que saber de tudo, minha cabeça agradece, e meus pés adoram poder ser protagonistas, eles, tao afastados do mando nestes tempos que correm, sim os tempos correm, mas os pés ficam muito tempo parados, e eles foram feitos para correr... contudo eu de vez em quando deixo os meus pés serem protagonistas do seu, e meu, destino, e então me permito passar a ignorar aconteceres nas tardes desses mundos inventados... e desnecessários, sim, desnecessários, desnecessários para que corra a seiva do carvalho, ou o meu sangue, que não é azul, para que a relva possa abraçar os raios de sol, e o pessegueiro possa se sonhar voando em cada pássaro que a ele veio se pousar... descobrir que eu podia ignorar o que o mundo anunciava como Real, me consagrou como filha da terra, filha que tem outros ouvidos e fecha os olhos de fora.. foi tudo por não saber que havia essa boda Real, desses príncipes, talvez de nome charles, e uma princesa da que ainda hoje não sei o nome, e quando eu soube da boda, já tinha passado, quem mo contava sorria como quem se alegrasse de conhecer uma pessoa que não sabia dessa boda... eu não me alegrei com esse 'não saber', igual de pouco que com o 'saber' que eu não soube, com o que sim me importo é com o mundo que me permite eu não saber...
Concha Rousia
Concha Rousia
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Encontros
(imagem google)
momentos...
em que os braços se abrem
os olhos se fecham
os lábios se separam
e teu nome sai voar com minha alma...
Concha Rousia
momentos...
em que os braços se abrem
os olhos se fecham
os lábios se separam
e teu nome sai voar com minha alma...
Concha Rousia
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Plantar
Plantei as couves na horta do quintal
e a Terra plantou em mim suas imagens
mostrando a eternidade de cada gesto meu
eu cavava sozinha, Nerea observava...
e colocava as plantinhas direitas...
Mas eu não cavava sozinha...
no meu cavar cavou a primeira mulher que cultivou a Terra
no meu cavar cavou minha mãe
e sorriso de enigmas certos...
Cavou..., cavou minha mãe e cavou a mãe dela
A mim acudiram logo todas as imagens
que minha mãe plantara da sua mãe em mim...
Em breve foram inúmeras as imagens que em mim brotaram...
éramos tantas as mulheres a cavar que o quintal se ergueu em festa...
Nesse instante vi aparecer Nerea com uma garrafa de laranjada...
Toma mãe, bebe...! Não é isso que crianças devem fazer...?
E este foi o jeito com que minha filha plantou em mim
a minha própria imagem sendo eu pequeninha levando de beber...
imagem esta que eu tinha plantado nela e esquecera...
Mas como a Terra nos ensina....
quarta-feira, 11 de maio de 2011
A Torre de Hércules
O farol de Hércules abre
os seus braços de luz
ilumina os caminhos d'mar
e vem despir a beira da cidade...
Tira-lhe seu vestido de noite
mostrar suas femininas
e molhadas curvas
nos areais de Riazor
para curar sua milenar solidão...
Contemplo-a...
eu sei como dói ficar sozinha
sei o que é ver desaparecer
o mundo na boca do além
que tudo leva, que tudo leva....
Fica o mar e a torre com seu facho
testemunha de perdas e saudades...
Da janela da noite ouço os cânticos
dos sonhos que nunca conseguiram
ser ancorados no papel mentiroso
duma história mal, e por outros, contada
ficando tudo para ser resgatado
pela poesia
deste silêncio de pedra...
Da janela da soidade vejo poemas
num incessante revoar nesse céu
que de manhã se encherá
de estradas para as gaivotas
e no lugar desta calma inquieta
virá o barulho que tudo silencia
Mas arestora* fala apenas o farol
vai dar aviso a marinheiros e poetas...
antes de o barulho vir com seu silêncio
aumentar nosso secular silêncio
que será então ainda muitíssimo maior
esse silencio será tão imenso
que passará sem ser notado...
como agora eu noto esta luminaria
Concha Rousia
Corunha 6 de Maio de 2011
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Arestora* (A esta hora. Neste momento. Agora.)
segunda-feira, 9 de maio de 2011
As noites duma noite
O azar da noite levou-me a essa pergunta que não sei responder:
Quantas noites cabem numa noite?
A folha segue em branco, com a luz do telemóvel desenho luas em meu caderno de viagens nocturnas, noite em que a insónia me visita ou me arrasta por suas desconhecidas e improvisadas ruas, quase oníricas, a lua, que sempre dorme ao pé da janela em primavera, avisa-me de que daqui não posso ver longe, eu sei isso, mas sempre a escuto, ela aproveita para me contar como ela adora se banhar no estanque que ainda não fiz e ela sempre me recorda... Ora eu já sei que não posso ver longe, mas sei também que meus dedos podem quase tocar esse ponto em que se cruzam todos os caminhos, infinitos, e regresso à infância e à mestra, regresso ao saber de que há outras linhas, as paralelas, que jamais se cortam...
Mas neste ponto que agora quase contemplo, no que me interessa ignorar as paralelas, cabe o futuro inteiro, todo junto, como se fosse um novelo a encher a bola de cristal da bruxa, que anda a adivinhar futuros, tecendo aquelas lãs de cores do ventre da sua bola.... Essa bola é tão pequena! caberia na minha mão, mesmo que dentro albergue o tempo tudo, tempo circular, como a caprichosa esfera, onde tão perto fica o próximo minuto como a última hora do que resta de uma vida... Poderia tantas cousas... se conseguisse trespassar a invisível linha dessa outra dimensão onde ela repousa, essa linha que me separa de seguir meu desejo de apanhá-la e sair correndo noite a fora, noite após noite... aí poderia ter tempo para responder todas as perguntas:
A primeira de todas: Como dormir? Como enganar a alma que tudo parece saber? O corpo vê que é noite, que há no céu estrelas e o galo ainda não cantou, o corpo tem ouvidos, mas a alma, insensata criatura, acha que é dia, ela pensa que é dia, e espanta o sono... Ontem também já me fez outra, parecida, às cinco da tarde convenceu-me de que era meio-dia... Agora que o relógio diz que são as quatro, eu faço que ignoro e não pergunto mais...
Concha Rousia
Compostela, 10 de Maio de 2011
Quantas noites cabem numa noite?
A folha segue em branco, com a luz do telemóvel desenho luas em meu caderno de viagens nocturnas, noite em que a insónia me visita ou me arrasta por suas desconhecidas e improvisadas ruas, quase oníricas, a lua, que sempre dorme ao pé da janela em primavera, avisa-me de que daqui não posso ver longe, eu sei isso, mas sempre a escuto, ela aproveita para me contar como ela adora se banhar no estanque que ainda não fiz e ela sempre me recorda... Ora eu já sei que não posso ver longe, mas sei também que meus dedos podem quase tocar esse ponto em que se cruzam todos os caminhos, infinitos, e regresso à infância e à mestra, regresso ao saber de que há outras linhas, as paralelas, que jamais se cortam...
Mas neste ponto que agora quase contemplo, no que me interessa ignorar as paralelas, cabe o futuro inteiro, todo junto, como se fosse um novelo a encher a bola de cristal da bruxa, que anda a adivinhar futuros, tecendo aquelas lãs de cores do ventre da sua bola.... Essa bola é tão pequena! caberia na minha mão, mesmo que dentro albergue o tempo tudo, tempo circular, como a caprichosa esfera, onde tão perto fica o próximo minuto como a última hora do que resta de uma vida... Poderia tantas cousas... se conseguisse trespassar a invisível linha dessa outra dimensão onde ela repousa, essa linha que me separa de seguir meu desejo de apanhá-la e sair correndo noite a fora, noite após noite... aí poderia ter tempo para responder todas as perguntas:
A primeira de todas: Como dormir? Como enganar a alma que tudo parece saber? O corpo vê que é noite, que há no céu estrelas e o galo ainda não cantou, o corpo tem ouvidos, mas a alma, insensata criatura, acha que é dia, ela pensa que é dia, e espanta o sono... Ontem também já me fez outra, parecida, às cinco da tarde convenceu-me de que era meio-dia... Agora que o relógio diz que são as quatro, eu faço que ignoro e não pergunto mais...
Concha Rousia
Compostela, 10 de Maio de 2011
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